Profile of nasal and oropharyngeal colonization by Staphylococcus aureus in pharmacy students
DOI:
https://doi.org/10.36560/151120221626Palavras-chave:
Staphylococcus aureus, meticilina/oxacilina, nasal, orofaringe, smartphonesResumo
É comum indivíduos saudáveis serem colonizados pelo Staphylococcus aureus, sendo o mesmo encontrado em diversas áreas do corpo, com maior frequência na cavidade nasal. Apesar de ser membro de microbiota, esse micro-organismo pode estar relacionado com uma variedade de doenças infecciosas. Em décadas anteriores as infecções por S. aureus eram tratadas com facilidade através do uso da penicilina e moléculas semissintéticas de β-lactâmicos, como a meticilina e seu análogo oxacilina. Entretanto, dentro de um curto período, à resistência à meticilina, foi detectada em cepas de S. aureus (MRSA – metthicillin-resistante Staphylococcus aureus), passando de um organismo presente predominantemente em hospitais para uma causa comum de infecções também dentro da comunidade. Considerando a importância das infecções nosocomiais e na comunidade, o presente trabalho teve como objetivo a avaliação do perfil de colonização nasal e oral pelo S. aureus, bem como a determinação da resistência à meticilina/oxacilina, entre os estudantes do curso de Farmácia. Também foi avaliado o perfil geral de contaminação dos aparelhos celulares (tipo smartphones), verificando a presença de S. aureus. Amostras da cavidade nasal, orofaringe e da superfície (tela frontal) do aparelho celular dos acadêmicos, foram coletadas utilizando-se swabs estéreis e semeadas em Agar Sal Manitol e Agar Mueller Hinton. A avaliação do perfil de sensibilidade das cepas de S. aureus isoladas dos estudantes foi realizada por técnica de difusão em agar. Dos 50 voluntários empregados na pesquisa, 29 (58%) apresentaram amostras positivas para o S. aureus na cavidade nasal e/ou oral. Sendo que, 14 voluntários (28%) possuíam o S. aureus somente na cavidade nasal, 5 (10%) somente na cavidade oral e 10 voluntários (20%) apresentaram a bactéria em ambos os locais (cavidade nasal e orofaringe). Dos portadores da bactéria, um voluntário (3,4%) apresentou cepa MRSA. Na contagem de micro-organismos mesófilos aeróbios totais (nos aparelhos celulares), 100% das amostras obtiveram crescimento, sendo que 80% apresentaram contagens menores ou iguais a 5 UFC/cm2 da superfície frontal do smartphone. Na pesquisa de bactérias específicas, 9 (18%) celulares revelaram a presença de S. aureus. Através dos resultados foi possível observar que a maioria dos estudantes apresentam S. aureus colonizando a cavidade nasal e/ou oral, entretanto, não sendo verificada uma alta porcentagem de cepas resistentes a oxacilina/meticilina. Todos os acadêmicos apresentaram aparelhos com algum nível de contaminação microbiológica, sendo detectado o S. aureus apenas nos aparelhos dos estudantes que eram portadores nasais e/ou orais dessa bactéria.
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